|
|
|
A começar pela significação dada a própria palavra, já há um preconceito sobre seu significado. Quando estávamos na escola, por exemplo, as “matérias” eram chamadas de “disciplinas”. Em casa, se um filho fizesse algo errado, ouvia-se a frase: “Falta-lhe disciplina”. Assim, disciplina virou sinônimo de rigidez. E rigidez não é algo de que gostamos. Nas situações citadas, a disciplina torna-se uma característica ruim, pois vem de fora para dentro. Trata-se de regras criadas e impostas às pessoas de forma arbitrária. Assim, confere-se a ela um conceito bem diferente de comprometimento. Na escola, por exemplo, se um aluno obedece às regras colocadas pelo professor, é considerado obediente e, conseqüentemente, disciplinado. No entanto, não quer dizer que ele seja comprometido com o que faz nem tampouco que aprende o que deveria. No dicionário, o vocábulo em questão é interpretado como subordinação ou obediência à autoridade. E é aí que devemos fazer uma grande diferenciação. Quando falo sobre disciplina, faço uma comparação com uma bússola. Quando escolhemos caminhos em nossas vidas, precisamos ser guiados para chegarmos até eles. A disciplina é uma forma de guia. É ela que nos dá FOCO. Tem papel fundamental na construção do caráter de uma pessoa ou de um profissional. Vejamos, por exemplo, os músicos, os artistas de circo, os atletas profissionais. Disciplina é o caminho para o sucesso. É por isso que, quando nós mesmos determinamos nossa disciplina, ela deixa de ser obrigação rígida e imposta e passa a ser o percurso para a realização daquilo que queremos e o comprometimento com nós mesmos para alcançarmos nossos objetivos. Assim, quando se fala em Disciplina, lê-se Comprometimento. Falamos de algo que acontece de dentro para fora e não de fora para dentro. E isso a torna mais prazerosa, mais realizadora, pois vem ao encontro do que NÓS idealizamos e não do que os outros idealizaram. Há um artifício muito usado, inconscientemente, para se obter disciplina: assumir um compromisso com o outro. Há pessoas que querem freqüentar uma academia, por exemplo, mas por acharem chato ou monótono, decidem treinar com um amigo. Com essa decisão, ignoram, num primeiro momento, seu compromisso com a atividade física, estabelecendo um compromisso com o determinado amigo. O relógio toca de manhã e elas pensam tenho que ir à academia. Mesmo não estando dispostas, ou mesmo com preguiça de ir, lembram que marcaram com o amigo que estaria lá pontualmente às 7h, por exemplo. É impressionante como esta “estratégia” acaba dando mais resultado. Parece que, se a pessoa não for à academia, a cobrança de seu amigo será maior do que a cobrança com ela mesma. Cria-se uma maneira de “jogar a cobrança para fora”, como forma de se tornar mais obediente ou disciplinado. Há também as pessoas que dizem: “Eu não consigo poupar dinheiro para comprar as coisas que quero. Assim, prefiro assumir um financiamento, pois é a única forma de adquirir o que desejo”. Para muitos essa frase é real. E é muito claro o motivo. Ir a uma loja e fazer um financiamento faz que com se estabeleça um compromisso de pagamento entre o comprador e a loja (ou financeira). Assim, o compromisso de juntar dinheiro (de dentro para fora) passa para uma obrigação por pagar as prestações (de fora para dentro). E elas acabam sendo pagas por medo de se ter o nome sujo, por causa dos juros, ou pelo risco de se perder o bem adquirido. Para muitas pessoas, esta forma é mais efetiva do que poupar dinheiro. Então lhe pergunto: Você se utiliza desses artifícios? Entendo que talvez essa seja a forma como você consegue seus resultados, ou a que aprendeu a fazer. Mas quem disse ser a melhor? Quando estabelecemos um compromisso com outra pessoa, com uma loja ou um banco, passamos a ser cobrados por isso. E é a isto que muitos estão acostumados: a serem cobrados pelos outros. Dizem que buscam liberdade ou independência financeira, mas na verdade gostam mesmo é de serem cobrados. Adoram ter uma aposentadoria pública, pois assim “alguém” está cuidando de sua aposentadoria. Mesmo reclamando todo mês por pagar a contribuição à Previdência Pública, ficam felizes por haver alguém tomando conta disso para elas. Ou mesmo no caso da pessoa que gostaria de comprar um aparelho televisor novo e que em vez de poupar regularmente para efetuar a compra à vista, prefere fazer um financiamento. Neste momento passa a assumir um compromisso com um outro, no caso a loja, em vez de manter o compromisso com ela própria. Quando a questionamos, a resposta normalmente dada é: “Eu precisava comprar agora; não dava tempo de juntar.” Mas, na verdade, se questionarmos a situação, veremos que ela nunca poupa para efetuar aquisições como essa. Por quê? Será que tudo era para agora? Com certeza muitas compras poderiam ter sido adiadas, mas falta disciplina ou comprometimento com ela mesma. Assim, vale pensarmos a respeito, pois a Independência Financeira é feita de Disciplina Autêntica. É não nos enganarmos assumindo compromissos com os outros e fazendo disso uma forma de conquistar nossos objetivos. Se desejarmos alguma coisa, conquistá-la deverá tornar-se um compromisso nosso. A isto se dá o nome de Liberdade Financeira: fazer, com nosso dinheiro, aquilo que queremos, no momento em que queremos. Podemos assim dizer que Disciplina Autêntica é um Compromisso com o Futuro – Exige abrir mão de prazeres imediatos em troca de uma conquista maior a longo prazo. Esta tal Disciplina Autêntica é aquela que se estabelece de dentro para fora, baseada em sonhos e metas idealizados. É um contrato interno e não com outros. É a certeza de que realizaremos algo que NÓS queremos. Vale a reflexão. E até o próximo artigo. Artigo usado como base: |