Artigos

Desequilíbrio Financeiro Pessoal: um problema cada vez mais comum

Finanças Pessoais
Maurício Galhardo - Maio de 2008

É impressionante o número de pessoas que a cada dia aumentam as estatísticas de inadimplência nas instituições financeiras do país. SPC, Serasa, Bancos e Financeiras são considerados verdadeiros vilões na vida de muitos cidadãos brasileiros.

Ter o “nome sujo”, ter o crédito cortado, perder o talão de cheques ou o cartão de crédito, são rotinas comuns dentre inúmeros assalariados e empresários. Mas por que isso acontece?

Quais são as causas deste desequilíbrio financeiro e deste percentual de inadimplência tão alto?

Após alguns anos prestando consultoria e ministrando treinamentos na área de finanças pessoais e empresariais, pude notar quatro grandes causas para este problema:

1 - Crenças Erradas:
Uma crença é algo que faz sentido para nós. É algo em que acreditamos, que cremos como correto. E estas crenças permeiam nossas vidas. Nós vivemos hoje baseados nas crenças que temos. Por exemplo: se creio que me alimentar com verduras e frutas faz bem à minha saúde, viverei com base nesta crença e obterei os resultados desta escolha.

Mas, infelizmente, existem algumas crenças que continuam conosco e talvez não façam mais sentido para a vida que queremos hoje. Vejamos por exemplo, quando éramos crianças:  Se seu pai chegava em casa no final do dia, cansado, reclamando do trabalho, talvez você tenha ficado com a crença de que “trabalhar é ruim”. Ou mesmo se você cresceu ouvindo a frase: “Deus ajuda quem cedo madruga”.

Será que acordar cedo é um requisito básico para as pessoas de sucesso? Como será que isso ficou em sua cabeça? Tratando-se de finanças pessoais, vejo em meus clientes crenças
muito enraizadas, que desencadeiam comportamentos muito diferentes do que estas pessoas querem para si hoje. Pense em você, o que sente quando ouve as frases abaixo?

- “Se der para pagar as contas no final do mês já está bom demais”;

- “Existem três formas de ficar rico: nascendo rico, casando-se com  alguém rico ou ganhando na loteria”;

- “É mais fácil um camelo entrar no buraco da fechadura do que um  rico entrar nos reino dos céus”;

Está na hora de reavaliar até que ponto estas frases ainda fazem sentido para você. A melhor forma de trabalhar uma crença errada é substituí-la. Revise suas crenças e reescreva-as, por exemplo:Crença: “É melhor o certo do que o duvidoso”Crença reescrita: “É melhor evoluir correndo riscos calculados do que ficar parado nisso para sempre”.

2 - Apelo de vendas e Consumismo:
Você já leu alguma matéria ou participou de algum curso para “vender mais”? Já lhe ensinaram como melhorar o atendimento a seus clientes ou como preparar o ponto de venda, com uma boa exposição de seus produtos na vitrine? É provável que sim.  

Então lhe pergunto: E o inverso? Você já fez algum curso para “comprar menos”? Já fez algum curso para aprender a entrar nas lojas e não comprar por impulso? Ou como fazer uma pesquisa antes de comprar e de como negociar com o vendedor? Percebe a diferença?

As pessoas vão a um Shopping Center e não percebem que, mesmo antes de entrarem numa loja, estão lidando com profissionais em vendas. O problema é que os consumidores não são profissionais em compras.

O apelo de vendas é muito forte: vitrines maravilhosas, lojas ambientadas (som, aromas, visual, etc.) e preços “baixos” são verdadeiras armadilhas para o consumidor despreparado, mas isso é errado? Claro que não.

O papel da loja e do vendedor é vender. Ninguém está obrigando o consumidor a ir até a loja. Além disso, existe um estímulo para se consumir. Veja um aparelho  celular. Quanto tempo você ficou com seu primeiro aparelho celular? E agora, de quanto em quanto tempo você troca de aparelho?

Esta necessidade de estar sempre com o produto mais moderno e mais sofisticado faz com que as pessoas substituam seus bens cada vez mais rapidamente, gerando assim um consumo muito acelerado.

É uma necessidade de quem vende, mas será que é uma necessidade de quem compra? Qual a periodicidade que você compra roupas ou sapatos novos, ou troca seus eletrodomésticos, ou seu automóvel? Que tal repensar seu modelo de compra?

Dica 1: Mais de 60% das pessoas que saem das lojas para pensar sobre a compra de um produto decidem por não comprar este produto. Assim, se você estiver na dúvida se deve ou não comprar algo, saia da loja para pensar.

Dica 2: Quando for comprar alguma coisa, faça-se a seguintes perguntas:

- Eu preciso comprar isso?
- Eu preciso comprar isso agora?
- Já pesquisei preço, qualidade, garantia e este é realmente o melhor lugar para comprar?

Se a resposta às três perguntas for sim, então você deve efetuar a compra. (Não vale mentir para si mesmo).

3 - Falta de Instrução Financeira:
A maioria dos brasileiros nunca leu um livro ou participou de um curso ou palestra sobre Finanças Pessoais. As pessoas aprendem sobre finanças “na vida”, com seus pais, amigos e parentes. O problema é que quem ensina não é necessariamente um bom exemplo.

Na Inglaterra, em 2003, foram incluídas na programação escolar aulas de finanças pessoais. Alunos do nível fundamental ao nível médio têm estas aulas e assim melhoram sua relação com o dinheiro.

No Brasil, infelizmente, ainda não há nenhuma iniciativa do tipo. A falta de instrução financeira faz com que muitos brasileiros não saibam sequer analisar uma compra. Fazem suas compras baseados no valor da parcela e não no valor total do bem. Assim, não comparam taxas de juros e muitas vezes não conseguem fazer um planejamento adequado.

E você, acredita que tem boa instrução financeira para enfrentar o mundo aí fora? Que tal estudar um pouquinho mais e aprender como melhorar ainda mais suas finanças?

4 - Problemas de Auto-Estima:
Esta causa não é a mais freqüente, mas com certeza é a que gera os problemas mais desastrosos. Muitas pessoas que possuem problemas de auto-estima encontram nas compras uma compensação para seus problemas. Para entender melhor, imagine o seguinte exemplo (fictício):

“Uma dona de casa que não trabalha fora, com um marido machista. Quando este marido chega em casa, não valoriza a mulher por todo o trabalho que esta realiza. Ela, por ficar somente em casa, usa roupas velhas, cabelos desarrumados, unhas mal-tratadas e não tem tempo para se cuidar. Esta mulher não é valorizada o que afeta sua auto-estima.

Quando esta mulher vai a uma loja, é tratada com uma rainha. A vendedora lhe trata tão bem que mais parece uma amiga de infância. Cuidam de suas sacolas e lhe servem café, água, chá e bolachas. Quando prova uma roupa, por exemplo, é elogiada pela vendedora, que diz que ela ficou muito bonita.” Com tudo isso lhe pergunto: Onde esta mulher se sente mais à vontade, na sua casa ou na loja?

Qual a chance dela comprar coisas que não precisa? O problema é após alguns dias a fatura do cartão de crédito chegará e uma briga com o marido será inevitável. Esta briga afetará ainda mais a auto-estima desta mulher, e sabe aonde ela vai para melhorar sua auto-estima? Isso mesmo, para a loja, pois é lá que ela é valorizada, e o ciclo recomeça.

Problemas de auto-estima devem ser tratados terapeuticamente, com psicólogos. Mas, se você tem alguma similaridade com o marido do exemplo acima, talvez você possa ajudar...

Analise sua vida financeira nos quatros aspectos citados e, se precisar, busque mais informações.

Sucesso e prosperidade financeira para você e até o próximo artigo.

Comente este artigo:
Nome
E-mail
Comentario